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Celso Lima Estamparia


TÉCNICAS DE ESTAMPAS NA ÁFRICA

As técnicas pesquisadas na África Ocidental marcam o início de todo o processo de estamparia conhecido. Algumas, como o tritik, datam do final do período neolítico (8.000 a.C), e através de milenares migrações, chegaram até à Índia, aonde deram origem a todo o acervo do badhnu indiano (técnicas de tinturaria por amarrações e costuras). As técnicas africanas de estamparia por tinturaria hoje conhecidas são executadas por grupos étnicos da África subsaariana, principalmente na costa atlântica, em países como Costa do Marfim, Benin, Nigéria, Serra Leoa, Gana e Burkina Faso.

Na Nigéria, principalmente entre os yorubas, as estamparias executadas na técnica adire-alabere resultam em padrões geométricos multicoloridos, conseguidos através de costuras e alinhavos e sucessivos tingimentos. Já em Gana e Burkina Faso os padrões são executados em monocromias (principalmente em indigo).

A estamparia marfinesa já se destaca pelos motivos florais riquíssimos. A etnia dida da Costa do Marfim produziu padrões florais refinados, em alinhavos extremamente minuciosos e delicados, e hoje esses tecidos podem ser vistos em museus europeus, já que essa etnia se encontra praticamente extinta.

É importante ressaltar que todos os grupos étnicos africanos envolvidos na estamparia de costuras se encontram sériamente ameaçados de extinção (senão já extintas, como os didas) por guerras e sérias epidemias (como a AIDS e a tuberculose). Seus países são ignorados pela opinião pública mundial, e alguns sofrem uma pirataria selvagem por parte de grandes grupos empresariais ocidentais, que muitas vezes ajudam a fomentar guerras e conflitos que facilitem sua atividade predatória. É uma pena que populações com culturas ríquissimas como os mossis de Burkina Faso e os kubas do Congo desapareçam por um punhado de dólares.

Algodão estampado em adire-alabere e tritik.



Escrito por Celso Lima às 18h13
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