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Celso Lima Estamparia


Batik javanês sobre linho

O  LINHO

 

Em novembro de 1922 o egiptólogo Howard Carter fez a descoberta do século: a tumba intacta de um jovem faraó do Médio Império chamado Tutankhamon.

Verdadeira cápsula do tempo, a tumba continha em seu interior um verdadeiro tesouro: todo o Egito da XVIII Dinastia, de 1360 a.C, suas jóias e ourivesaria, objetos de uso, carros, o fabuloso ataúde do rei menino, que repousava dentro de um relicário de ouro maciço. Em meio à isso tudo, em uma bela caixa torneada e ornamentada com pinturas mostrando o faraó e sua rainha, estavam as vestes reais: peças de uso cotidiano, todas confeccionadas no mais puro linho.

O “linum usitatissimum” é a mais antiga fibra têxtil conhecida e manipulada pelo homem e achados arqueológicos comprovam que já era utilizada em 8.000 a.C. Essa nobre fibra, de cultivo simples, com suas efêmeras flores brancas e azuis, vestiu Cristo e sempre foi considerada sagrada. Na Grécia antiga verdadeiros festivais eram organizados para a sua colheita e na Europa medieval era tido como medicinal, já que suas raízes têm poder curativo.

Sem necessidade de muito tratamento químico, sua fiação e tecelagem podem ser consideradas as mais ecológicas dentre as fibras têxteis.

Hoje a nobreza do linho compete em igualdade com a da seda. Na tinturaria, são rei e rainha.

Linum usitatissimun por Luis Gomes



Escrito por Celso Lima às 22h17
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Greta Garbo como Mata Hari

MATA HARI E O BATIK JAVANÊS

 

A história de Mata Hari é um grande romance. Nascida Margaretha Geertruida Zelle, filha de um empresário holandês e de uma descendente de javaneses, Mata Hari enfeitiçou a Europa do início do século XX com sua dança exótica carregada de erotismo. Se apresentava como princesa javanesa, e em seus números aparecia envolta em belíssimos batiks javaneses e uma suntuosa joalheria (na verdade toda produzida por joalheiros europeus à partir de desenhos feitos pela própria Mata Hari, inspirada pelas jóias indianas). Circulando pela alta roda européia em plena Primeira Guerra Mundial, se envolveu com o alto oficialato tanto francês quanto alemão, o que lhe valeu a acusação de espiã alemã pelos franceses. Executada em 1917, seu fuzilamento gerou várias estórias e lendas, e numa delas Mata Hari teria jogado um beijo para os soldados executores, e abrindo a capa que lhe protegia do intenso inverno europeu, mostrou seu belo corpo.

Ela contava ter nascido na ilha de Java, filha de uma princesa javanesa e um oficial alemão, o que afinal acabou lhe comprometendo. Sua história fascinou o mundo, e em 1931 a atriz sueca Greta Garbo, numa grande produção de Hollywood, a transformou num mito.

Seu nome, Mata Hari, significa “olho do dia” em malaio, e “luz do sol” em bahasa indonésio. Conta-se que, durante suas apresentações, em um palco de trevas, seus olhos e suas jóias faiscavam, entorpecendo os espectadores. De qualquer forma, Mata Hari foi uma mulher excepcional, envolta em mistério e glamour.

A verdadeira Mata Hari



Escrito por Celso Lima às 19h22
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