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CHEGADA À CALICUTE: "CHITRAS" & ESPECIARIAS
A história da estamparia é contada em episódios de datações nem sempre precisas. Atrelada à história do tear, a arte de estampar foi conquistada pelo homem no raiar do período histórico: em 4.000a.C, no Egito pré-dinástico, homens já vestiam couros pintados com óxidos e carvoaria. Mas uma data tem um significado muito especial para a estamparia moderna: 22 de março de 1498. Nesse dia Vasco da Gama e seus malcheirosos companheiros de navegação se apresentaram diante de Glafer, o rajá de Calicute, abrindo as portas para o comércio da Índia com a Europa, impedido por terra desde a queda de Constantinopla.
Entre vários tesouros como as afamadas e preciosas especiarias, perfumes, tapeçarias e sedas bordadas, estavam as "chitras", telas e tecidos de algodão estampados em policromia, em processos de fios tintos, desconhecidos pelos europeus. Chamados de "indianos" pelos portugueses, de "toile peinte" pelos franceses e de "chintz" pelos ingleses, as chitras, cujo nome significa "pintado" em indi, invadem a Europa do século XVI e se tornam as extremamente populares "chitas", a ponto de no início do século XVII surgirem os primeiros ateliês na Holanda estampando os famosos "sits", como eram chamados pelos holandeses, que trazem para a Europa também as primeiras cunhas javanesas de batik, dando origem então à toda uma indústria de estampar, também na Inglaterra e Alemanha, aonde os primeiros teares mecânicos começavam à operar. O resto é história.

Batik javanês sobre surá de seda pura/Acervo Anne-Marie Henson (Canadá)
Escrito por Celso Lima às 18h46
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