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TRITIK
"Tritik" é um antigo termo da língua malásia e significa "ponto amarrado", e designa um processo de estamparia de contenção por amarração antiquíssimo, sem datação precisa, mas que aparece em peles de 11.000 a.C, ou seja, final do Neolítico, já em plena revolução agrícola. O tritik é feito em todo o mundo, inclusive achados arqueológicos da América do Sul mostram que os incas utilizavam esse tipo de amarração em seus tecidos de lã, com um trabalho muito parecido com o executado pelos marroquinos de Fez em seus tapetes lanosos. Na verdade em toda a África negra a estampa em tritik, que recebe o nome de "eleko" na costa atlântica, é trabalhada nas mais diversas formas: com envoltórios, utilizando pequenas peças (contas ou palitos de madeira ou osso), amarrados e costurados, torcidos com nós e amarras, enfim, um manejo de grande riqueza criativa.
Tritik Rajastani em xale de seda pura / Celso Lima - 2008
Na Índia o tritik está presente em quase toda a estamparia por tinturaria, sendo que no Rajastão, especialmente nos tecidos da província de Gujarath, os pequenos círculos recebem apliques com vidros e metais, típicos dos bordados indianos. O tritik é um capítulo técnico importante do acervo badhnu de estamparia indiana.
Os japoneses elevaram o tritik indiano à categoria de arte têxtil em seu método kanoko-shibori (tatebiki, tsukidashi, hitta e yokobiki): com agulhas e muita maestria suas elaboradas e intrincadas estampas deslumbram os olhos.
No meu trabalho de pesquisa com os kubas no Congo encontrei um processo bastante simples de amarras com cordões, mas que resulta em belíssimos padrões, e a estamparia que ilustra esse texto é uma homenagem à esse grupo étnico africano. O tritik é um dos processos pioneiros, senão o primeiro, da estamparia do homem e reproduz em várias dimensões e ordens o elemento mágico simbólico do "ser": o círculo, e na África essa forma traz signos de tempos arcaicos, além da geometria elementar.
"Kubas"/2002/tritik com batik javanês sobre seda tecida à mão/Celso Lima.
acervo Anna Teresa Soubietz Franco
Escrito por Celso Lima às 18h02
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