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TESUJI
tesuji na corda sobre musselina de seda indigo.2008/Celso Lima.
Na arqueologia dos tecidos uma das maiores dificuldades talvez seja a datação de artefatos tão frágeis e de tão difícil sobrevivência como os têxteis, mas ela é, quando possível, precisa e de grande auxílio na cronologia da utilização das fibras, sua fiação e tecelagem. Na pesquisa e estudo das técnicas de tinturaria e estamparia encontramos dificuldades adicionais, e uma delas é sem dúvida localizar a exata origem e identidade étnica de métodos e processos.
O tesuji, uma das mais importantes matrizes do shibori-zome japonês, faz de sua história uma verdadeira novela tecnológica. Como a maioria dos processos que integram o shibori do Japão ele também aportou nessa ilha trazido por mãos chinesas durante o século VI, provavelmente de tintureiros que se estabeleciam na então florescente capital nipônica, a cidade de Kioto. É certo que todo o acervo shibori tem origem chinesa, exceto o arashi e itajime que são autóctones do Japão, sendo que a maior parte das técnicas de estamparia por tinturaria chinesas nascem na Índia, o que demonstra a antiga e intensa comunicação entre os povos da Ásia Oriental. De qualquer forma podemos desde já afirmar que o berço da tinturaria asiática é a Índia, e é para lá que vamos para entendermos melhor que beleza é o tesuji japonês.
Como um Indiana Jones dos tecidos constatamos que é na antiguidade da Índia que surgem os primeiros rudimentos da tinturaria, com a utilização de taninos, terras e cinzas para coloração de fibras e peles. Após a invasão ariana, que acontece por volta de 1550a.C, surgem no norte da Índia os primeiros teares com estruturas de sustentação que possilitam a produção de grandes peças de tecidos. Em 322a.C, quando Chandragupta funda o império Maurya, os indianos já tingem com indigo e estampam belíssimos tecidos em listras e grafismos, utilizando para isso uma técnica de estamparia por amarrações chamada planbji. O planbji hindu é, ao lado do tritik, uma das mais antigas estampas sobre têxteis que o homem já criou: produzindo listras e cores contrastadas e matizadas, suas estampas até hoje deslumbram. E o tesuji-shibori nada mais é do que uma sofisticada e minuciosa versão japonesa do planbji.
Trabalhado com plissas e amarras, na corda, com máscaras de madeira, com envoltórios e costuras, há centenas de modalidades tesuji. As máscaras de madeira que resultam em listrados clássicos já eram utilizadas pelos chineses quando esses introduziram a técnica no Japão e as cordas e costuras são inovações japonesas, sendo que os envoltórios pertencem a técnica original indiana, o planbji. Hoje esse método de estampar sobrevive apenas no tesuji japonês, já que tanto na Índia como na China não se encontram mais artesãos que o executem.
tesuji misto sobre palha de seda com oxidação.2008/Celso Lima.
Resumida assim sua história parece bem confusa, mas o que importa é que o encanto maravilhoso dos tesujis, suas cores e grafismos, sobrevivem ainda, e todos os cânones de execução dessa técnica demonstram a grandeza e brilho desses antigos povos, sua vontade e paixão pela beleza.
Escrito por Celso Lima às 14h35
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