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Celso Lima Estamparia


 

O ALGODÃO

Los Angeles, 1939 - Sentada em uma cadeira de lona, ao canto do grande estúdio, a jovem atriz aguarda a chegada do produtor do filme para o qual fará um teste. Nervosa, seus belos olhos verdes contemplam o cenário de mansão sulista no qual representará. Em breve sua beleza conquistará o mundo e fará história do cinema encarnando a beldade sulista Scarlett O'Hara no inesquecível "E O Vento Levou". Nascida em Darjeeling, na Índia, a inglesa Vivien Leigh será para sempre essa filha rica das imensas plantações de algodão do sul dos Estados Unidos.

Vivien Leigh como Scarlett em "...E O Vento Levou"/1939.

Sobre o algodão (gossypium arboreum) há inúmeras estórias, mas sua descoberta pelo homem é de datação imprecisa. Sabe-se que é conhecido desde o final da última Era Glacial, e escavações arqueológicas no Paquistão datam telas de algodão em 5.000 a.C. Na América sua utilização é de 4.500 a.C, no Peru antigo, sendo que a cultura e tecelagem do algodão americano atinge seu ápice com os incas, cujos tecidos são até hoje referência de qualidade têxtil..

Sua cultura envolve várias fases, da abertura da flor à deposição da celulose em camadas internas das fibras dentro do fruto (maçã), cuja expansão provoca o rompimento da casca, surgindo então o capulho, com as fibras expostas. O consequente ressecamento levará à forma final da massa fibrosa (pluma) para ser colhida, descaroçada (já que as fibras nada mais são que uma proteção das sementes) e fiada. Sua fiação é simples, envolvendo lavagens e pentes.

Flor do algodão em pluma.

O primeiro maior produtor desse fio celulósico no mundo foi a Índia, que no século III a.C já comercializava tecidos de algodão com outros povos asiáticos, como a China. Introduzido no Egito pelos romanos, que o importavam da Índia, o algodão passou a ser ali cultivado com luxo e maestria. Hoje o algodão egípcio é uma das estrelas no mercado têxtil mundial, e o mais nobre dessa família de fios. Os tipos mako (amarelo) e karnak (branco) passaram a ser cultivados em outros países orientais e até nos EUA e Rússia, hoje dois dos maiores produtores de algodão do mundo, ao lado da China. A característica do algodão egípcio é possuir fibras longas e extralongas, extremamente macias e resistentes. O Brasil produz um algodão de fibras médias.

Na tinturaria é com certeza a fibra mais trabalhada em todo o mundo, seja pelo custo como pelos resultados. Com a utilização de pigmentos naturais ou sintéticos (com corantes diretos ou reativos) seu tingimento o torna extremamente atraente.

"Jardim Hindu"/ Batik javanês sobre sarja de algodão/Celso Lima/2000.

Branco ou colorido, em sua história o algodão nem sempre foi destinado ao consumo popular, e em alguns lugares e épocas foi considerado tão nobre quanto a seda. Na Europa, aonde foi introduzido por Alexandre da Macedônia no século IV a.C, mais de 2.000 anos se passariam para que se tornasse o maior protagonista de uma grande revolução, quando dois compatriotas de nossa Vivien, os ingleses Arkwright e Cartwright inventassem respectivamente a máquina de fiar e o tear mecânico. Era o estopim da Revolução Industrial e de uma nova era no mundo, que transformaria o algodão no tecido natural mais usado no planeta, o mais democrático dos têxteis.

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Escrito por Celso Lima às 19h21
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