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Celso Lima Estamparia


MARIMEKKO, A ESTAMPA QUE VEIO DO FRIO

John e Jackie Kennedy no verão de 1960.

Foi em 1949 que, no intenso frio finlandês, a designer Armi Ratia produziu seus primeiros padrões sobre algodão em serigrafia artesanal, usando como oficina um galpão abandonado nos fundos de sua casa. Sua proposta de um desenho de estampa moderno e divertido, em cores contrastantes ao gélido frio da Finlândia, acompanhava a vanguarda européia do design gráfico, principalmente o desenho de estampa padronada que surgia no pós-guerra, representada por designers como a inglesa Lucienne Day, a tcheca Jacqueline Groag, a escocesa Sylvia Chalmers e o sueco Stig Lindberg, entre outros. Com o sucesso absoluto de suas primeiras produções artesanais, Ratia, com seu marido Viljo, e já com um grupo de artistas finlandeses como equipe de criação, fundou em 1951 a "Marimekko".

  

Estampa "Unikko" / Maija Isola para "Marimekko" / 1960.

A principio voltada para o vestuario feminino, seus primeiros desenhos como coleção foram criados pela designer finlandesa Ritta Immonen em padrões com temática extremamente arrojada, em geometrias e flores (é de Ritta o primeiro hit da "Marimekko": listras e circulos em degradeés citricos).

Armi Ratia

Desde o inicio a "Marimekko" foi um reduto de grandes artistas, principalmente nórdicos, e grandes idéias, mas o que sempre me fascinou em seu acervo de estampas foi a combinação perfeita entre arrojo e simplicidade, o primeiro na temática e o segundo na utilização inteligente de rapportagem direta, sem muitos artificios. Em 1953 a "Marimekko" ganha a Europa com um desenho de estampa que se tornou simbolo da marca: a "Piccolo", listras criadas por Vuokko Nurmesniemi, que criaria também em 1956 a lisérgica "Popii", circulos em progressões sinuosas e cores primarias.

   

Estampa "Pinned" em p&b (a esquerda) / Estampa "Green" (a direita).

Em 1960 a designer Maija Isola criou uma coleção de florais (entre eles o "Unikko", até hoje o carro-chefe da finlandesa), e foi com um leve e esvoaçante vestido de verão em floral colorido que Jackie Kennedy posou com seu marido em campanha eleitoral para a presidência dos EUA. Jackie usou varios vestidos com estampas "Marimekko" naquele verão de 1960, e também com a chancela da editora de moda Diana Vreeland, que considerava suas estampas "a graça ensolarada de um verão", o pattern da distante e fria Finlândia ganhou o mundo.

 

Estampa de Maija Louekari para "Marimekko" 2008 (a esquerda) / Estampa "Kuusama Green" (a direita).

Ja a partir de 1964 a "Marimekko" possuia linhas próprias, em varias lojas pelo mundo, em vestuário e acessórios. A partir de 1974 lança suas padronagens para forração de mobiliarios, papéis de parede e roupas de cama e banho, assim como acessórios para decoração.

 

Estampa "Kamelleontti" / 1961.

Em 3 de outubro de 1979 Armi Ratia falece em Helsinque. Mas sua criação ja alçara voos próprios, com sucesso e sofisticação. Porém, apesar da riqueza de seu acervo, uma má gerencia financeira levou a "Marimekko" a ser vendida em 1985, e no inicio dos anos 90 a marca foi a bancarrota. Foi vendida novamente em 1991 para o empresario-designer Kirsti Paakanen, que revolucionou a "Marimekko" relançando todo o acervo de padronagens classicas dos anos 50 e 60 em nova paleta de cores e em dimensões variadas, além de contratar estilistas renomados para a criação de peças sofisticadas de vestuario feminino, lançando também uma nova linha de roupas de banho. E foi usando um belo vestido estampado em floral e um biquini em padrão retrô que Carrie Bradshaw, a descolada personagem da série norte-americana "Sex and the City", interpretada por Sarah Jéssica Parker, alavancou novamente a "Marimekko" no mercado mundial, mostrando a força de suas estampas gráficas. Nesse ano de 2013, a marca italiana "Prada" lançou uma estampa floral em p&b homenageando a "Unikko" da "Marimekko", consagrando-a como pattern.

Sarah Jéssica Parker como "Carrie Bradshaw" em "Sex and the City" veste "Marimekko".

O desenho de estampa da "Marimekko" sempre chamou a atenção pelos temas, extremamente naturalistas, até em suas geometrias orgânicas, sempre em seu rapport direto, um de seus grandes trunfos, ensinando aos designers de estampa no mundo a importancia do desenho, atualmente muitas vezes desprezado pelas pirotecnias do rapport digital, em espelhamentos e rotações desnecessarios resultando replicagens confusas.

    

Estampa "Baonilha" (a esquerda) / Estampa "Sirtolapuutarha" (a direita).

Hoje, a "Marimekko" esta por todo o planeta, em lojas próprias, modernas e sofisticadas, ostentando seu magnifico e ja histórico repertório de estampas. Foi e será sempre uma grande influência para quem ama a arte do pattern.

Fragmento do painel "Perdizes & Papoulas" / Batik javanês e shibori sobre shantung de seda/ Uma livre inspiração marimekko / Celso Lima/ 2009.

 



Escrito por Celso Lima às 18h43
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